O IMPACTO DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA NA VIDA DE JOVENS E
ADOLESCENTES:
A DESESPERANÇA
A minha geração hoje, com cerca de 50
anos, foi adolescente em um período em que o emprego não era problema. Concluíamos
o chamado 1º grau, e havia emprego como empacotador em supermercado, o
“faz-tudo” – “office-boys” nas empresas, bancos, os auxiliares administrativos,
os datilógrafos, onde iniciei minha vida profissional. Além disso, trabalhávamos e estudávamos para
buscar melhores cargos e realização profissional. É claro que naquele momento,
não tínhamos leis que protegessem o aluno estudante, e haviam meninos e meninas
de 13, 14 anos, trabalhando, que acabavam por desistir dos estudos em troca da
vaga no mercado de trabalho, onde haviam promoções e incentivo dentro das
empresas.
Avançamos na conquista dos direitos
das crianças e adolescentes, garantia da escolarização destes até o ensino
médio, o estímulo ao ensino universitário, criando uma geração com mais
qualificação, acesso às novas tecnologias, e maior capacidade de interagir no
mundo globalizado.
Mas o que talvez não dimensionamos é
o impacto do mundo globalizado, tecnológico, onde o capital financeiro é o
maior objetivo e não a promoção da vida humana, impactando na vida dos atuais
jovens. O discurso fácil da terceirização, precarização das relações de
trabalho, o chamado “empreendedorismo”, onde você não é mais trabalhador, e sim
um “colaborador”, uma pessoa jurídica, está promovendo um efeito devastador na
esperança de nossa juventude.
Os chamados “estágios” sem garantia
de empregabilidade, promovem somente um rodízio de experiências, sem continuidade,
as contratações temporárias, sem efetivação, elevam o número de jovens com 20,
25 anos, sem um emprego efetivo e, principalmente sem a esperança de
consegui-lo.
A “desesperança” está principalmente
naqueles jovens que optam por buscar maior qualificação, em universidades e não
conseguem perceber um futuro promissor nas profissões escolhidas.
Nos cursos de graduação de
Professores, os jovens não conseguem vislumbrar futuros promissores, com baixos
salários e falta de valorização. Em outros cursos técnicos, de cultura, a
situação não é muito diferente, a competição e a falta de incentivo à muitas
áreas, desestimulam os jovens.
O discurso atual no Brasil de que as
relações de trabalho devem ser regidas pelo próprio mercado, com negociações
individuais entre empregadores e empregados, só aumentam as desigualdades, uma
vez que quem procura emprego, não tem como competir com quem oferece o emprego.
A retirada do papel dos Sindicatos
como intermediários nas relações trabalhistas, diminuem na mesma proporção que
se fortalecem os empregadores, que possuem a prerrogativa de contratarem quem
querem, pelo valor que lhes interessa. O fim da contribuição sindical
obrigatória, que era paga pelo trabalhador, de um dia de salário no ano, foi
retirada na clara intenção de acabar com as Entidades mais combativas e as
Centrais Sindicais que se opõem a esse projeto de pauperização dos
trabalhadores.
Mas não se questiona a máquina
sustentada pelo Sistema “S” (SESC, SENAI, SESI, SENAC) por empresários que
contribuem sobre a “Folha de Pagamento” com 1% para produzirem mão-de-obra para
as empresas, e onde nem toda a demanda é absorvida, mas enriquece alguns grupos
e mantém sob controle a formação de adolescentes.
O enfraquecimento do papel do Estado
na vida da sociedade, com diminuição de investimentos públicos em saúde,
educação, cultura, esportes, empobrece a qualidade de vida da grande massa de
trabalhadores, que não consegue e não pode competir com o mercado financeiro,
aumentando o descrédito e a desesperança de um futuro digno.
Marlí Aparecida Thomassim Medeiros - Professora Municipal desde 1988.
Marlí Aparecida Thomassim Medeiros - Professora Municipal desde 1988.
Considero a abordagem dos temas muito oportuna porque é necessário pensar o atual momento para encontrarmos saídas, opções políticas.
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