segunda-feira, 31 de julho de 2017

O IMPACTO DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA NA VIDA DE JOVENS E ADOLESCENTES: 
A DESESPERANÇA

A minha geração hoje, com cerca de 50 anos, foi adolescente em um período em que o emprego não era problema. Concluíamos o chamado 1º grau, e havia emprego como empacotador em supermercado, o “faz-tudo” – “office-boys” nas empresas, bancos, os auxiliares administrativos, os datilógrafos, onde iniciei minha vida profissional.  Além disso, trabalhávamos e estudávamos para buscar melhores cargos e realização profissional. É claro que naquele momento, não tínhamos leis que protegessem o aluno estudante, e haviam meninos e meninas de 13, 14 anos, trabalhando, que acabavam por desistir dos estudos em troca da vaga no mercado de trabalho, onde haviam promoções e incentivo dentro das empresas.
Avançamos na conquista dos direitos das crianças e adolescentes, garantia da escolarização destes até o ensino médio, o estímulo ao ensino universitário, criando uma geração com mais qualificação, acesso às novas tecnologias, e maior capacidade de interagir no mundo globalizado.
Mas o que talvez não dimensionamos é o impacto do mundo globalizado, tecnológico, onde o capital financeiro é o maior objetivo e não a promoção da vida humana, impactando na vida dos atuais jovens. O discurso fácil da terceirização, precarização das relações de trabalho, o chamado “empreendedorismo”, onde você não é mais trabalhador, e sim um “colaborador”, uma pessoa jurídica, está promovendo um efeito devastador na esperança de nossa juventude.
Os chamados “estágios” sem garantia de empregabilidade, promovem somente um rodízio de experiências, sem continuidade, as contratações temporárias, sem efetivação, elevam o número de jovens com 20, 25 anos, sem um emprego efetivo e, principalmente sem a esperança de consegui-lo.
A “desesperança” está principalmente naqueles jovens que optam por buscar maior qualificação, em universidades e não conseguem perceber um futuro promissor nas profissões escolhidas.
Nos cursos de graduação de Professores, os jovens não conseguem vislumbrar futuros promissores, com baixos salários e falta de valorização. Em outros cursos técnicos, de cultura, a situação não é muito diferente, a competição e a falta de incentivo à muitas áreas, desestimulam os jovens.
O discurso atual no Brasil de que as relações de trabalho devem ser regidas pelo próprio mercado, com negociações individuais entre empregadores e empregados, só aumentam as desigualdades, uma vez que quem procura emprego, não tem como competir com quem oferece o emprego.
A retirada do papel dos Sindicatos como intermediários nas relações trabalhistas, diminuem na mesma proporção que se fortalecem os empregadores, que possuem a prerrogativa de contratarem quem querem, pelo valor que lhes interessa. O fim da contribuição sindical obrigatória, que era paga pelo trabalhador, de um dia de salário no ano, foi retirada na clara intenção de acabar com as Entidades mais combativas e as Centrais Sindicais que se opõem a esse projeto de pauperização dos trabalhadores.
Mas não se questiona a máquina sustentada pelo Sistema “S” (SESC, SENAI, SESI, SENAC) por empresários que contribuem sobre a “Folha de Pagamento” com 1% para produzirem mão-de-obra para as empresas, e onde nem toda a demanda é absorvida, mas enriquece alguns grupos e mantém sob controle a formação de adolescentes.
O enfraquecimento do papel do Estado na vida da sociedade, com diminuição de investimentos públicos em saúde, educação, cultura, esportes, empobrece a qualidade de vida da grande massa de trabalhadores, que não consegue e não pode competir com o mercado financeiro, aumentando o descrédito e a desesperança de um futuro digno.
 Marlí Aparecida Thomassim Medeiros - Professora Municipal desde 1988.

Um comentário:

  1. Considero a abordagem dos temas muito oportuna porque é necessário pensar o atual momento para encontrarmos saídas, opções políticas.

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