quinta-feira, 30 de junho de 2022

 
POESIAS AO ACASO

A História de todos nós

Eu vivo minha história e a 60 anos vou percorrendo sem muitas pretensões. 
Sonhos em tive, a maioria não consegui realizar. 
Outros não sonhei, mas realizei ao sabor das contingências.
Hoje ao olhar para trás, vejo experiências incríveis, 
outras nem tanto.

O MEU AMOR

Não foi o primeiro,

Mas é único.

È um menino,

Tão meigo,

Parece, às vezes tão perdido.

Outras,

Tão atrevido,

Tão ousado.

Me deixa por vezes

Tão enternecida, outras,

Tão danada.

Assim é meu amor,

Misto de tudo e nada.

 

Minha Vó

Ela era pequenina,

Tão baixinha,

Miudinha,

Ela era assim.

Mas era também

Alguém com tanto amor,

Tanto calor,

De valor.

Ela era assim.

Que falta ela me faz

Prá me dizer

Que ainda existe paz.

No Natal,

Então, nem se fala,

Ela era só alegria,

Por mais um dia

Que o Deus Menino

Lhe permitia

Reunir toda a família.

 

O tudo e o nada

O Tudo

É tão grande

Que não faz parte

De mim.

O Nada,

É um pouquinho

Do que faço

Pelos outros e

Por mim.

 

PEQUENINA FLOR

Uma pequenina flor

Nasceu de um amor.

Tanto tempo

Não nascia igual flor

Na grande família

Do amor.

Foi a primeira

Mas não será a única

A pequenina flor.

Mas sempre terá

Muito amor e calor,

Por ser a primeira flor.

 

DUAS FRUTAS

Duas frutas

Brotaram

Num pomar

De amor.

Não foi cuidado,

Nem premeditado,

Mas floresceu

Assim mesmo,

A ermo,

Mesmo contra,

O solo,

A chuva,

A erosão.

E crescerão,

E mais tarde,

Também florescerão,

Muitos frutos

De verão.


SOMOS PARTES

Somos partes,

Partes de um todo,

Todo, que se faz

Único,

Únicos, que são partes.

Partes, que formam um todo.

O todo,  por sua vez, é formado por

Seres únicos.


MEU  AMIGO, MEU IRMÃO

Meu amigo, meu irmão

Quanta ilusão, neste mundo,

Eu encontrei.

Trabalhei, pensei,

Trabalhei e me disseram

Que se trabalhasse

Todos os problemas eu

Resolveria,

Mas, na verdade,

Com trabalho eu consegui ver

Que o trabalho que eu realizo

Não será suficiente

Para realizar todos os sonhos

Que eu sonhei.

E com o trabalho o que

Consegui saber

Que muito mais

Tenho que trabalhar e,

Talvez, sem nunca realizar,

Os sonhos que eu sonhei.

 

EU VEJO O MUNDO

Eu vejo o mundo

Muito mais do que com os olhos,

Com o coração e os

Sentimentos.

Os olhos me mostram

O que é superficial.

O coração me mostra a alma.

Os sentimentos expressam

O que a alma me mostra,

E os olhos acompanham

O que os sentimentos e a

Alma expressam.

DIVISÃO

Com outra eu nasci,

Com irmãos eu convivi.

Com colegas eu estudei.

Com trabalhadores eu somei

E dividi minhas tarefas.

Com passageiros eu andei

Com um companheiro

Eu dividi

A minha vida.

Com ele, concebi filhos,

Com quem, dividimos

Nossas vidas.

A vida nada mais é

Que a soma e a divisão

Do que somos e temos.

TRINTA ANOS

 anos de namoro,

Noivado, casamento.

Casamento, trinta anos

De convivência, tolerância,

Mútuas discussões,

Diversões,

Ultrapassando barreiras,

Construindo um futuro.

A vida a dois é assim:

Ser você mesmo,

Dedicando-se ao outro,

Sem desistir

De nossas personalidades,

Somando, não anulando,

Construindo, sem destruir,

Conquistando, sem submissão.

Este foi o grande

Aprendizado destes 30 anos

Convivendo com você.


BUSCA

Estou a busca

Busco o tempo

A verdade

A justiça

 

O tempo passou

A verdade é relativa

E a justiça?

Muitas vezes injusta.

 

O tempo não volta

A verdade se perdeu

E a justiça...

Esqueceu.

 

VIAGEM

Olho pela janela

Vejo um céu azul

Sem nuvens a desvelar

As folhas dos coqueiros movem-se

Pela força do vento

Lindos tons de azul e verde

Contrastando

Desejando

E ansiando

O tempo passar

Para voltar

Matar a saudade

Da cidade, não...

Do lar.

 

Nostalgia

Sensação

Emoção

O coração a disparar

Sem ar

A buscar

Lembranças

Momentos

Sem sentenças

Sem julgamentos

Só a esperança

De querer voltar...

 

FAMÍLIA

Para alguns...

Amor

Para outros...

Acaso.

 

Completa

Incompleta

Grande

Pequena

 

Duas Mães

Dois Pais

Filhos?

Nossos, meus ou seus.

 

Mãe/Pai

Pai/Mãe

Avós/Mães

Avós/Pais

 

Mãe- filha

Irmã – Mãe

Irmão – Pai

Tio-Tia/Pai-Mãe

 

Quem cria?

Quem cuida?

Toodos?

Ningém?

 

Nascer é apenas um ato...

Viver é consequência.

 

QUERO SABER

Quem sou?

Sou um,

Muitos,

Alguém,

Ninguém

 

Um

Único,

Sem igual,

Invisível

 

Muitos

Complexo,

Instável,

Mutável

 

Alguém

Perdido,

Cansado,

Amado.

 

Ninguém

Na multidão

Sem imagem

Sem identidade.

 

Sem saber....

 

IR-VIR

Idas e vindas

Vamos

voltamos

Retornamos às vezes.

 

Só idas

E as voltas?

Se ir, para onde?

Se voltar, quando?

 

A ida,

expectativas,

E a volta?

Saudade.

 

Se ir, sem volta

Definitivo

Se voltar,

Transitório

 

Ir definitivo

Morte

Se voltar

Vitória.

 

Ir e vir

Simplesmente

Uma questão

De conveniência

 

Ou consequência

 

OLHAR

Olho a vida a passar

As belezas a desvelar

Pessoas a observar

Algo a descobrir

Mistérios a desvendar

 

Olhar...

Formas de expressar

Ternura

Censura

 

Aprovação

Reprovação

Alegrias

Tristezas

 

Um simples olhar

Muitas expressões

Tantas emoções.

 

CÉU

Três letras

Um espaço

Uma abóboda

Um teto

 

Finito

Infinito

Terreno

Celestial

 

Provisório

Definitivo

Uma visão

Um objetivo

 

Tão pequeno

Tão grande

Um substantivo

Uma expressão

 

Uma cor: azul

Uma crença: objetivo

Uma esperança por vidas

Uma inspiração: poesia

 

Uma pequena palavra,

Grandes ambições.

 

QUATRO OPERAÇÕES

Soma

Vivências,

Experiências,

Ganhos e perdas

Resultado: deficitário ou superavitário?

 

Subtração

Anos vividos

Tristezas e angústias

Pessoas queridas

Resultado: quanto ganhamos, o que perdemos?

 

Multiplicação

Vida, trabalho

Alegrias, dificuldades

Caminhos a percorrer

Resultado: quanto percorremos, o que conseguimos?

 

Divisão

A vida vivida

Anos, dias e horas

Minutos, segundos

Resultado: o que é meu, o teu e o nosso?

 

Enfim, a matemática da vida.

 

 

MAR

Onde começa?

Onde termina?

Finito?

Infinito quando olhamos

 

Suas águas

Às vezes calmas

Tranquilas

Outras, turbulentas

 

Sua cor

Azul

Verde

Verde azulada ou azul esverdeada

 

Suas ondas

Grandes e fortes

Amenas

Intensas e mansas

 

Suas areias

Brancas

Escuras

Frias e quentes

 

Seus habitantes

Inofensivos

Agressivos

Pequenos e grandes

 

Tantas perguntas

Tantas variáveis

Só não muda o encantamento, mistérios

Amigo ou inimigo a conquistar.

 

MÃE

Palavra substantiva, feminina

Simples, mas composta

Pequena, mas grande

Comum, mas própria

Única, mas múltipla

Indefinida, mas definida por todos

Presente, ausente, uni  presente

Nada para alguns,

Tudo para muitos

Esquecida, às  vezes,

Lembrada, sempre

Xingada, por vezes

Celebrada pela maioria

Mãe

Palavra indefinida

Com múltiplas definições.

 

ENCONTROS E DESENCONTROS

Encontro o amor no caminho

Desencontro na caminhada

Encontro amigos na vida

Desencontro no percorrer dos anos

Encontro irmãos de sangue, de vida

Desencontro ao logo da estrada

Encontro colegas de trabalho

Desencontro nos anos passados

Encontro objetivos de vida

Desencontro nas tentativas frustradas

Encontros e desencontros escorrem pelo tempo

Encontros e desencontros são o resultado

De uma vida vivida e uma vida sonhada.

 

MORRER

Morremos um pouco a cada dia

Nascemos com tantas expectativas

Tantas possibilidades.

Mas aos poucos morremos

Nossas células,

Nossas probabilidades

Não exploradas

Nossas dificuldades

De aceitação de limites

Nossas frustrações

Que matam os sonhos

E, no final, o que nos resta

                                      
Morrrer

Única e certeira verdade.

Podem até eternizar

Nossas fotos,

Façanhas, conquistas,

Mas, no fim,

Nossas fotos são apagadas da memória

Nossas façanhas, são esquecidas

Nossas conquistas, são superadas.

Morrer, não deveria ser

Uma temeridade

Mas sim, a conclusão

De nossa vida.

Simples assim.

 

CONCLUSÃO

Tudo é conclusão

Nascemos,

Vivemos,

Morremos.


Pensamos

refletimos,

Agimos,

Sofremos as consequências


Amigos,

Amores,

Atores,

Assim,

Afim,

Enfim.

Fim.


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

HISTÓRIA DA CRISE OU CRISE DA HISTÓRIA


 HISTÓRIA DA CRISE OU CRISE DA HISTÓRIA

  Nestor Ourique Medeiros
Professor estadual




Treze milhões de desempregados, empresas demitindo, lojas fechando, juventude sem esperança. Este quadro, apesar de doloroso, não é novo na História.
            Nestes trinta e três anos de sala de aula muito ouvi a pergunta típica de alunos egocêntricos: “por que devo estudar sobre coisas que aconteceram antes de eu nascer?” Como se o mundo tivesse começado a girar a partir do nascimento daquele aluno. Tantos homens e mulheres sofreram e lutaram para construírem suas vidas e deixarem um futuro melhor para as novas gerações. Não podemos ignorar a trajetória de tantas gerações anteriores, num processo histórico que nos trouxe até aqui, sem deixar de perguntar: para que serve estudar História? Se a História não serve para nos auxiliar a entender o presente, não serve para nada! Além disso, se diante da(s) crise(s) em que vivemos se as pessoas que estudam História ficarem quietas, não se manifestarem, mesmo que seja numa forma de catarse, para não enlouquecerem, para que serve, então, estudar a História?
 Só diante da compreensão do processo histórico é que vamos entender que outras crises já aconteceram e foram superadas pelas gerações anteriores. Secas, inundações, pragas, pestes, guerras geraram crises pela dramática redução de recursos para a sobrevivência da humanidade. Entretanto, no século XX, inaugurou-se uma nova forma de crise, uma crise que escancara as contradições sociais do capitalismo: a crise de superprodução.
            O liberalismo e a sua crença na “mão invisível” do capitalismo, provocou, após a Primeira Guerra Mundial, uma produção acelerada para atender ao mercado europeu, que estava com seu parque industrial debilitado pela guerra. Estados Unidos fornecia diversos produtos aos europeus, tornando-o a maior potência econômica da época. Entretanto, em uma década a Europa se reergueu e as importações de diversos produtos estadunidenses foram suspensas, provocando uma superlotação de mercadorias nos depósitos e nos pátios das fábricas. A queda da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, simbolizou esta superprodução de mercadorias que não tinham para quem serem vendidas, o que provocou uma onda de desemprego. Como uma bola de neve descendo a montanha, o desemprego gerava mais desemprego, o trabalhador demitido diminuía seu consumo gerando novos desempregados. A crise da economia estadunidense, que perdeu seu maior mercado consumidor, tornou-se mundial. Todos os países foram atingidos, menos a União Soviética. No Brasil, nosso principal produto de exportação, o café, deixou de ser comprado pelos Estados Unidos, nosso maior importador. Afinal, numa crise os primeiros gastos a serem cortados são os produtos supérfluos. Milhares de sacas de café foram queimadas, inclusive nas fornalhas das locomotivas, deixando, após a passagem do trem, um agradável aroma de café torrado no ar.
 Fábricas falidas, lojas fechadas, placas de aluga-se multiplicando-se e o desemprego rondando os trabalhadores, a cada dia fazendo novas vítimas, assombrando a todos, inclusive os proprietários de comércio que veem a sua clientela diminuir a cada dia. Esta realidade de 1930 pode ser vista hoje, na nossa sociedade. Diante deste quadro de desmoronamento da economia e colapso social, o governo dos Estados Unidos tomou uma decisão política arrojada: romper com o liberalismo e intervir na economia através do New Deal.     
Keynes foi um economista que, reza a lenda, teria dito para o governo pegar milhões de garrafas e dentro de cada uma delas colocar uma nota de um dólar e espalhar pelos Estados Unidos. Os desempregados, quando as encontrassem, iriam usar o dinheiro para comprar e assim ressuscitar a economia. Esta alegoria demonstrou a necessidade de um “novo acordo”, no qual o governo de Roosevelt geraria milhares de empregos através de obras públicas na construção de estradas, prédios governamentais e produção de energia. Esta massa de trabalhadores, ao consumir, iria gerar novos empregos que gerariam novos empregos, aumentando a arrecadação de impostos, aumentando investimentos em saúde, educação, segurança, que gerariam mais empregos e mais consumo e mais empregos, num círculo virtuoso.
Poderia encerrar o texto aqui. Afinal, está é a grande contribuição da História para resolvermos esta crise que nos aflige... Entretanto, sempre tem um “entretanto”, não basta sabermos como nossos antepassados lidaram com a crise e como a superaram. É preciso ter vontade política, por parte dos governantes, para agir como nossos antepassados e intervir na economia, mas, ao que parece, esta vontade não existe. O discurso do Estado mínimo e das privatização, inclusive de setores estratégicos para nossa soberania nacional, como a energia e a produção de novas tecnologias, faz acender uma luz de alerta para o comprometimento do futuro das novas gerações.
Você sabia que existe uma secretaria de privatização e desinvestimento? Calma, você não leu errado e nem eu escrevi errado, é desinvestimento mesmo! Reduzir o investimento em empresas públicas para vende-las. Estamos vivendo uma passagem bíblica: enquanto Jesus tinha os vendilhões do templo nós temos os vendilhões da Pátria. Empresas como a Petrobras, criada no governo de Getúlio Vargas, estratégicas para nossa economia representam o poder do Estado na sociedade. Um exemplo emblemático da influência do Estado na sociedade foi o anúncio da criação de aproximadamente vinte mil empregos, diretos e indiretos, na construção de plataformas para a Petrobras nos estaleiros de Rio Grande, em 2015, que geraria um crescimento econômico estrondoso na região. Mudou o governo, mudou a política em relação a Petrobras. A construção das plataformas foi transferida para a China e, ao ser questionado pelos jornalistas sobre os trabalhadores de Rio Grande que perderiam seus empregos e os empresários que investiram na construção de hotéis, restaurantes e lojas na cidade, o presidente da empresa simplesmente respondeu: “a Petrobras não é para fazer assistência social”. Diante desta resposta podemos concluir que o Brasil não é para os brasileiros.
Na década de 1950, este assunto fazia parte do debate político. Dois partidos tinham projetos políticos antagônicos para o Brasil. O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de Getúlio Vargas, pretendia industrializar o Brasil de dentro para fora, através de investimentos públicos para a criação de indústrias nacionais, por isto foi criada a Siderúrgica Nacional de Volta Redonda (primeira siderúrgica do país), a Eletrobrás, a Petrobras entre outras. A União Democrática Nacional (UDN), de Carlos Lacerda, defendia uma irrestrita abertura do país ao capital internacional, permitindo uma industrialização de fora para dentro, com empresas multinacionais.
Vargas merece um destaque especial porque foi o presidente que mais tempo ficou no poder (19 anos) e teve grande importância histórica ao investir na ampliação da indústria, tirando o Brasil da dependência econômica da exportação de café. Sua prática política refletia o mundo a sua volta, pode ser entendido como um político camaleão, sempre atento ao contexto político internacional, ora assumindo uma prática fascista (ditadura do Estado Novo), ora sendo democrático/nacionalista (eleito em 1950).
No governo de JK se confundiu desenvolvimento econômico com a abertura ao capital internacional, levando à falência empresas nacionais como a FNM (Fábrica Nacional de Motores), que não aguentaram a concorrência com as multinacionais. 
As indústrias multinacionais pagam salários muito inferiores aos trabalhadores brasileiros do que pagam aos trabalhadores dos seus países de origem, além disso, mensamente, ocorre a remessa de lucros às suas matrizes no exterior.
Nossas elites, com honrosas exceções, desde a época colonial, estão com a cabeça na Europa/ Estados Unidos e os pés no Brasil, atendendo aos interesses do capital internacional e colocando a nossa soberania nacional em risco. Desde que o Brasil se tornou política e juridicamente uma país, este conflito interno de interesses perpassa os nossos diversos períodos políticos, desde a monarquia agro exportadora e escravista, passando pela República Liberal, com a dependência do mercado externo na exportação do café, assumindo contornos dramáticos com o projeto de industrialização nacional de Vargas, onde se escancarou o conflito entre “nacionalistas” e “entreguistas”, culminando com o suicídio de Vargas, continuando com a entrada das multinacionais e a tentativa do governo João Goulart de limitar a remessa de lucros das multinacionais ao exterior, até o golpe de 1964, quando a ditadura civil/militar viveu uma contradição ao fortalecer empresas estatais e atender aos interesses da multinacionais, principalmente ao facilitar a remessa de lucros; até os dias de hoje, quando assistimos ao desmonte do Estado realizado por governos democraticamente eleitos, como foi o caso da venda da Companhia Vale do Rio Doce, a maior empresa mineradora do Planeta, da Embraer, leilão para exploração do pré sal, venda das ações da Petrobras Distribuidora, entre outras entregues ao capital internacional, numa clara ameaça a soberania nacional.(Não se trata de um crime de lesa Pátria?) Talvez a exceção, nestes 35 anos de democracia formal, tenham sido os governos do PT, que não privatizaram, mas acabaram derrubados por um golpe do Legislativo.
O atual governo surfa na onda das privatizações, do Estado Mínimo, das reformas trabalhista e previdenciária que retiram direitos da classe trabalhadora. Em relação a política externa, se alia de forma praticamente servil aos Estados Unidos, inclusive assumindo seus inimigos como o Irã e os palestinos e seus amigos como Israel. Parece, para alguns apoiadores do governo, que  vivemos na época da Guerra Fria, quando a Ditadura civil militar aplicava a Lei de Segurança Nacional, combatendo o “inimigo interno”, através do terrorismo de Estado e de uma aliança incondicional aos Estados Unidos, inclusive com aulas de tortura ministradas pela CIA.(vide Dan Mitrione, que ensinou algumas técnicas adotadas nos porões da ditadura) . O próprio presidente eleito é um contumaz admirador da ditadura civil/militar e não se cansa de homenagear a memória de conhecidos torturadores e chamar de terroristas quem lutou pela democracia naqueles tenebrosos “anos de chumbo”.
Goebbels, chefe da propaganda de Hitler, afirmava que uma mentira dita mil vezes se tornava uma verdade. Na desinformação em que vivemos, podemos afirmar que o revisionismo é o fake News da História. “Não houve o holocausto que matou tantos ciganos, homossexuais, eslavos, comunistas, judeus”...“não houve tortura nos porões da ditadura civil/militar”...”a Terra é plana”... “o Sol gira em torno da Terra”...“o homem não pisou na Lua”...“mulher não tem discernimento para votar”...“a democracia é muito importante para estar nas mãos do povo”...”comunistas comem criancinhas e mulheres de calcinha”... “não há luta de classes e nem há exploração do homem pelo homem”... “no Brasil só passa fome quem quer”... “as nações ricas destruíram suas florestas, logo, para sermos ricos devemos fazer o mesmo”... entre outras afirmações que ignoram a imensidão de fatos, depoimentos, comprovações cientificas, provas cabais que afirmam...não só afirmam... gritam o contrário!
O absurdo é tal, que o emprego já foi um direito, hoje é um privilégio, o nepotismo já foi crime, hoje presidente pode indicar filho como embaixador nos Estados Unidos, todos são iguais perante a lei, menos os militares, que ficaram de fora da Reforma da Previdência, podendo se aposentar com menos tempo do que os outros trabalhadores e deixar polpudos vencimentos para suas filhas solteiras (algumas com filhos e netos), escancarando privilégios para alguns e perda de direitos para a imensa maioria da classe trabalhadora.   
Pedindo licença a Platão, parece que vivemos no fundo de uma caverna, onde, por uma pequena fresta, os meios de comunicação de massas e as redes sociais, com seus fake News, só nos permitem ver as sombras do que acontece fora da caverna. (leia sobre o Mito da Caverna, escrito há 2.400 anos, talvez te faça bem, ou não).
Neste quadro surreal em que vivemos, onde sofismas confundem nossa compreensão da realidade, a grande crise da História é que as pessoas não querem aprender com a História. O que antes era comprovado como uma verdade histórica hoje é negado sem o menor pudor ou qualquer prova, gerando uma enorme confusão, tamanha é a desinformação, com afirmações absurdas, fotos montadas, ideias preconceituosas, que julgávamos mortas. Entretanto, nada morre, apenas se esconde, aguardando a oportunidade para reaparecer, disfarçado como uma nova verdade, mas é o mesmo ranço derrotado, superado no passado não muito distante, que volta. O neoliberalismo (e seu Estado Mínimo) e o neonazismo com todo aquele ódio e autoritarismo do passado com verniz de modernidade, são exemplos emblemáticos. Do jeito que as coisas vão, não duvidem que irão desencavar ideias como “alguns homens nascem para serem livres e outros para serem escravos” ou “o rei é rei por direito divino”, mascarados de novidade.
O ser humano é o único que faz História, mudando sua maneira de viver e se relacionar com os outros e com a natureza. Somos seres culturais, transformamos a nossa realidade e ninguém nos pode sub julgar, a não ser nós mesmos (“O homem é o lobo do homem”). Sendo assim, ninguém mais pode modificar a nossa realidade a não ser nos mesmos.
 Entendendo a História como um processo dialético, onde as contradições sociais provocam mudanças e “tudo é um constante vir a ser”, perceberemos que a realidade que existente hoje nem sempre existiu, portanto não continuará existindo. Esta consciência das transformações constates na História esbarra na realidade atual, quando vejo a arrogância destes que estão no poder, fazendo discursos preconceituosos e revanchistas, defendendo projetos que aumentam as desigualdades sociais, governando como se fossem eternos. Não posso deixar de lembrar que na Roma Antiga, quando um general triunfante era homenageado em um desfile pelas ruas, ao seu lado na carruagem havia um escravo que dizia ao seu ouvido: “não esqueças que és mortal”.   
                                                         10 de agosto de 2019.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

E


30 anos do SPMG

O SPMG - Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública Municipal de Gravataí, completa 30 anos de sua fundação em 03 de dezembro de 1988. Essa é uma daquelas histórias que valem a pena de serem escritas. Para quem participou deste período relembrar todas as lutas e conquistas alcançadas e para quem está chegando conhecer.
É como conhecer alguém em suas diferentes fases da vida: do seu nascimento ao seu amadurecimento e esperamos, por que não, de sua idade adulta. 
Para conhecer essa Entidade devemos reconhecê-la como um coletivo de professores e servidores municipais que se dispuseram a construir e consolidar suas bases.
As principais bases, a meu ver, foram: participação democrática, seriedade, propostas, ação.
Em nenhum momento desta história deixou-se de pensar e agir coletivamente em busca de soluções para os desafios apresentados.
E como qualquer coletivo estivemos sujeitos a aprovação, críticas, oportunismos de alguns e muito apoio da categoria, que entendeu que faz parte deste Sindicato, que não é o ele o SPMG, mas somos nós o SPMG. E estes estão de parabéns!



quarta-feira, 21 de março de 2018

IPAG Saúde: desafios e possibilidades

Garantir a viabilidade do IPAG Previdência e Saúde têm sido uma tarefa imposta aos servidores públicos de Gravataí. Não podemos nos furtar de, neste momento, realizarmos a discussão sobre a Sáude, com o objetivo de mantermos serviços de qualidade ao conjunto dos segurados e seus dependentes. Esse boletim tem a finalidade de informar e provocar a definição dos rumos que serão tomados.


segunda-feira, 31 de julho de 2017

O IMPACTO DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA NA VIDA DE JOVENS E ADOLESCENTES: 
A DESESPERANÇA

A minha geração hoje, com cerca de 50 anos, foi adolescente em um período em que o emprego não era problema. Concluíamos o chamado 1º grau, e havia emprego como empacotador em supermercado, o “faz-tudo” – “office-boys” nas empresas, bancos, os auxiliares administrativos, os datilógrafos, onde iniciei minha vida profissional.  Além disso, trabalhávamos e estudávamos para buscar melhores cargos e realização profissional. É claro que naquele momento, não tínhamos leis que protegessem o aluno estudante, e haviam meninos e meninas de 13, 14 anos, trabalhando, que acabavam por desistir dos estudos em troca da vaga no mercado de trabalho, onde haviam promoções e incentivo dentro das empresas.
Avançamos na conquista dos direitos das crianças e adolescentes, garantia da escolarização destes até o ensino médio, o estímulo ao ensino universitário, criando uma geração com mais qualificação, acesso às novas tecnologias, e maior capacidade de interagir no mundo globalizado.
Mas o que talvez não dimensionamos é o impacto do mundo globalizado, tecnológico, onde o capital financeiro é o maior objetivo e não a promoção da vida humana, impactando na vida dos atuais jovens. O discurso fácil da terceirização, precarização das relações de trabalho, o chamado “empreendedorismo”, onde você não é mais trabalhador, e sim um “colaborador”, uma pessoa jurídica, está promovendo um efeito devastador na esperança de nossa juventude.
Os chamados “estágios” sem garantia de empregabilidade, promovem somente um rodízio de experiências, sem continuidade, as contratações temporárias, sem efetivação, elevam o número de jovens com 20, 25 anos, sem um emprego efetivo e, principalmente sem a esperança de consegui-lo.
A “desesperança” está principalmente naqueles jovens que optam por buscar maior qualificação, em universidades e não conseguem perceber um futuro promissor nas profissões escolhidas.
Nos cursos de graduação de Professores, os jovens não conseguem vislumbrar futuros promissores, com baixos salários e falta de valorização. Em outros cursos técnicos, de cultura, a situação não é muito diferente, a competição e a falta de incentivo à muitas áreas, desestimulam os jovens.
O discurso atual no Brasil de que as relações de trabalho devem ser regidas pelo próprio mercado, com negociações individuais entre empregadores e empregados, só aumentam as desigualdades, uma vez que quem procura emprego, não tem como competir com quem oferece o emprego.
A retirada do papel dos Sindicatos como intermediários nas relações trabalhistas, diminuem na mesma proporção que se fortalecem os empregadores, que possuem a prerrogativa de contratarem quem querem, pelo valor que lhes interessa. O fim da contribuição sindical obrigatória, que era paga pelo trabalhador, de um dia de salário no ano, foi retirada na clara intenção de acabar com as Entidades mais combativas e as Centrais Sindicais que se opõem a esse projeto de pauperização dos trabalhadores.
Mas não se questiona a máquina sustentada pelo Sistema “S” (SESC, SENAI, SESI, SENAC) por empresários que contribuem sobre a “Folha de Pagamento” com 1% para produzirem mão-de-obra para as empresas, e onde nem toda a demanda é absorvida, mas enriquece alguns grupos e mantém sob controle a formação de adolescentes.
O enfraquecimento do papel do Estado na vida da sociedade, com diminuição de investimentos públicos em saúde, educação, cultura, esportes, empobrece a qualidade de vida da grande massa de trabalhadores, que não consegue e não pode competir com o mercado financeiro, aumentando o descrédito e a desesperança de um futuro digno.
 Marlí Aparecida Thomassim Medeiros - Professora Municipal desde 1988.
O QUE SIGNIFICA O IPAG PREVIDÊNCIA E SAÚDE PARA 
OS SERVIDORES MUNICIPAIS DE GRAVATAÍ

Em 14 de agosto de 1996, o então Governo Municipal, Edir Oliveira, conseguia na Câmara de Vereadores a aprovação da Lei 1053/96 que instituiu o Instituto de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores Municipais de Gravataí, ou seja, passava para a Administração Municipal a obrigação de gerenciar e pagar as aposentadoria e pensões dos servidores municipais, sem um cálculo atuarial que definisse alíquotas de contribuição, bem como, prestar atendimento médico e odontológico a todos os servidores.
Na época, aprovar a Lei do IPAG liberava o município de uma enorme dívida com o INSS, fruto de ausência de pagamentos dos governantes municipais, além do FGTS. Dizer que essas dívidas foram constituídas somente nos governos do PT é, no mínimo, desconsiderar essa herança, que até hoje faz parte das contas do Município. Muitas foram negociadas no governo Daniel Bordignon, após 1997.
No início de 1997, com várias folhas de pagamento em atraso, principalmente do Magistério Público Municipal, o Governo teve a responsabilidade de administrar o novo Instituto – o IPAG, sem contribuições, já iniciava pagando aposentadoria e pensões, atendimento à saúde a todos os servidores.
A administração do novo Instituto coube aos Diretores representados pelo Governo Municipal nas Diretorias da Presidência e na Previdência, ao Sindicato dos Municipários -  STPMG, na Diretoria de Assistência à Saúde, e na Diretoria Administrativo-Financeira, ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação – o SPMG.  Com muitos altos e baixos, durante mais de 15 anos, o IPAG conseguiu se consolidar, negociando dívidas, realizando alterações quando necessário, discutindo conjuntamente as soluções, entre funcionalismo e Prefeitura.
O papel do Conselho Deliberativo do IPAG foi fundamental durante esse período. Respeitando uma participação tripartite, o Conselho Deliberativo era formado por 3 representantes do Governo Municipal, 2 representantes do STPMG, 2 do SPMG e 2 representantes eleitos diretamente por todo o funcionalismo, todas as demandas e problemas eram discutidos em conjunto com o Conselho e as Diretorias do IPAG.
No Governo Marco Alba o modo de administrar e gerenciar o IPAG foi alterado, sem receber ou discutir com o Conselho Deliberativo, leis foram enviadas â Câmara de Vereadores e aprovadas sem que pudessem ser discutidas com os representantes do funcionalismo, sem cálculos atuariais o que só aumentou o déficit atuarial do Instituto. Denúncia foram feitas ao Ministério Público, Ministério Público de Contas, Câmara de Vereadores, sem nenhuma providência.
A estrutura administrativa do IPAG foi alterada, diminuindo a representação das Entidades Sindicais com o aumento do número de conselheiros do Executivo, de três para seis, e mais um conselheiro da Câmara de Vereadores, passando de 9 para 13 conselheiros. Também nas Diretorias, os representantes dos Sindicatos foram retirados e a obrigatoriedade de serem funcionários públicos de carreira, podendo agora ser qualquer CC indicado pelo Governo Municipal.
Além disso, a ausência de reposição da inflação nos salários do funcionalismo, que perfazem hoje 14,21% de perdas, fez por agravar o déficit atuarial do Instituto na Previdência e a situação da saúde, uma vez que os serviços médicos e odontológicos cresceram, ampliados por novas tecnologias e complexidades, sem o aumento da receita.
Já na questão previdenciária, a ausência de reposições salariais, aumento do número de aposentados e pensionistas, ampliação de benefícios a algumas funções, sem os devidos cálculos, fizeram por aumentar o déficit atuarial, tão alardeado pelo Governo Municipal como culpa do funcionalismo.
E, por fim, confundir déficit atuarial como dívida é outro engodo que o Executivo faz questão de evidenciar, confundindo os mais desavisados, uma vez que o déficit se refere a obrigações futuras e não somente aquelas que já foram constituídas.
Colocar a discussão da Previdência e da Saúde do Funcionalismo no bojo da discussão do orçamento municipal, como se o futuro da vida dos servidores e sua saúde fosse somente uma questão de números, em detrimento dos investimentos na cidade, é uma tentativa de deturpar a realidade.
Não se pode esquecer que os recursos investidos no funcionalismo revertem para a maioria da população, através do trabalho nas Escolas Municipais, onde são atendidos cerca de 30 mil estudantes, na Saúde, onde milhares de munícipes são atendidos diariamente; na Segurança Pública, que protege os cidadãos, assim como, em todos os serviços prestados, que tem por objetivo atender a grande maioria da população.
Também, os servidores públicos, vivem, em sua maioria, na cidade, comprando e consumindo produtos e serviços. Os serviços médicos e odontológicos são realizados, em grande parte aqui, gerando mais recursos e empregos.
Portanto, reduzir os investimentos no funcionalismo, como se isso não afetasse a maioria da população da cidade é uma visão equivocada, que remete ao sucateamento dos serviços públicos, promovendo a precarização destes, numa lógica de terceirização como sinônimo de qualidade, pela qual o cidadão é quem paga a conta para que alguns empresários e oportunistas se beneficiem.
Marlí A. Thomassim Medeiros - Professora Municipal - Conselheira eleita do IPAG